Viver em Paz

Durante a Segunda Guerra Mundial, pouco depois da invasão da Itália pelos Aliados, exigiu-se que as famílias italianas hospedassem os soldados invasores. Assim aconteceu que um soldado norte-americano foi designado para ficar na casa de um fazendeiro italiano.

O fazendeiro era mais pobre do que qualquer pessoa que o americano

conhecia. A casa nem de longe podia ser comparada com seu lar confortável nos Estados Unidos. Não tinha carpete sobre o chão duro. Os únicos móveis eram uma mesa rústica e bancos. Não havia uma colorida toalha de mesa nem cortinas. Tampouco havia rádio, equipamento de som ou televisão para o entretenimento. Ele passava os serões com a família e seus amigos, simplesmente conversando, contando histórias do presente e do passado.

Certa noite, o soldado estava sentado com os donos da casa no quintal, sob as videiras. Observavam a lua crescente surgir acima da montanha. "Que majestoso! Que lindo!", refletia o soldado. Os outros deviam estar pensando a mesma coisa, pois todos estavam quietos. Finalmente o soldado falou: – Tudo é tão pacífico aqui! Ninguém diria que há uma guerra em andamento. – É uma guerra sem sentido – comentou alguém. – Ódio demais, mortandade demais. – A guerra transforma pessoas decentes em monstros – disse outro. – Irmão luta contra irmão. Que desperdício!

O grupo ficou silencioso outra vez, cada um com seus pensamentos, desfrutando a
tranquilidade do momento. De repente, o silêncio da noite foi quebrado pelo rugir de 50 aviões norte-americanos cortando o céu, a caminho de sua missão destruidora. Passado o som ensurdecedor, o velho pai italiano falou mansamente: – Aprendemos a nadar como os peixes do mar; aprendemos a voar como as aves do céu, mas ainda não aprendemos a caminhar sobre a terra em paz com nossos semelhantes.

Neste mês aprenderemos a viver em paz uns com os outros. Se queremos conservar nossos amigos, precisamos aprender a lidar com os conflitos.


(Dorothy Eaton Watts. In: Inspiração Juvenil 2012: amigo é pra essas coisas. Tatuí: CPB, 2012. Texto digitado por Reginaldo Santos e publicado no grupo Boas Novas).
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