Colhendo amoras-pretas

Onde está, ó morte, o teu aguilhão? 1 Coríntios 15:55

Certa tarde, enquanto caminhava com meu cachorro, observei que havia muita amora-preta silvestre, não longe de onde moro. Voltando para casa, logo encontrei um recipiente apropriado para colocá-las e depois passei uma agradável meia hora colhendo todas as que pude alcançar.

Que lembranças essa experiência me trouxe! Como eu gostava de colher amoras-pretas quando criança! Nos últimos meses do verão, nossa mãe entrava na cozinha com o avental cheio de amoras-pretas. Então, equipadas com latinhas, minhas duas irmãs mais velhas e eu saíamos.

Com o calor do sol do verão, aquilo que havia sido uma frutinha dura, vermelha, se transformava numa grande amora, suculenta e deliciosa. Mamãe fazia as mais saborosas tortas.

A fazenda em que morávamos tinha algumas áreas onde as plantas de amora-preta se desenvolviam especialmente bem. Um lugar onde elas cresciam fartamente era bem em frente a um grupo de árvores que formavam um ótimo abrigo do vento. Sempre tínhamos certeza de encontrar amoras maduras ali.

Minhas duas irmãs mais velhas tinham braços mais longos do que os meus, e conseguiam colher as frutas em posição mais alta e mais distante. Mas eu me abaixava e procurava sob as folhas, e geralmente localizava baguinhos que haviam sido passados por alto. Um para mim, outro para a latinha. Com muita frequência, quando voltávamos para casa, havia aquela mancha fofoqueira, roxa, ao redor da minha boca!

Estávamos enchendo rapidamente nossas latinhas num domingo de manhã, na nossa árvore preferida, quando perturbei um vespeiro. Os insetos asquerosos, com seus ferrões, voaram em cima de mim. Derrubei a lata e corri, despejando minhas preciosas amoras pelo chão. Devido ao calor do verão, eu estava usando uma blusa bem solta, e os marimbondos me ferroaram na barriga. Chorei o caminho todo para casa. Minha mãe, imediatamente, me aplicou uma loção calmante, e minhas lágrimas e a dor pararam logo.

Neste mundo de pecado, a morte de um ente querido sempre nos aplica uma ferroada dolorida. Mas, graças a Jesus e Seu sacrifício na cruz, podemos aguardar aquele dia, quando a morte não mais existirá. Não haverá ferroadas, nem dor, nem morte.

(Leonie Donald in Meditação da Mulher)
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