Deus e as conservas


E o meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Filipenses 4:19

Quando eu vivia o início da
adolescência, nossa família passou por algumas experiências difíceis da Grande Depressão. Para aumentar nosso escasso abastecimento de comida, às vezes viajávamos a regiões onde as frutas eram menos caras – ou até de graça – para aqueles que as colhiam.

A viagem da qual mais me lembro foi aquela para colher mirtilos no pantanal. Antes do nascer do dia, naquela manhã, estávamos todos em pé e prontos para ir – mamãe, papai, meu irmão, minha irmãzinha e eu. Baldes e algumas tinas de lavar roupa haviam sido colocados no carro, na esperança de que estivessem cheios no fim do dia. Assim que o sol surgiu, chegamos às áreas pantanosas onde cresciam os mirtilos. Com um ancinho que meu pai inventou, feito em casa, ele logo encheu uma tina com as frutinhas. Cada um de nós levou um balde e colheu tanto quanto pôde.


No dia seguinte, em casa, todas as mãos se ocuparam fazendo conservas. Usamos aquilo que, na época, era uma nova forma de fazer conservas: as tampas Kerr. As instruções diziam como fechar os vidros. Instruíam sobre o modo de remover os anéis com cuidado, quando os vidros tivessem esfriado, para reutilizar esses anéis a fim de lacrar os demais vidros. Fizemos 200 litros de conserva, levando-os cuidadosamente para o porão, e colocando-os em filas caprichadas nas prateleiras. Como demos graças a Deus por aquelas frutinhas!

Aquele inverno foi rigoroso em Wisconsin. A temperatura caiu e chegou a - 43 ºC. Na primeira manhã daquela onda de frio, descemos ao porão para verificar nosso precioso abastecimento. Quando olhamos para as prateleiras, nosso coração quase parou. Todos os vidros se haviam congelado. As tampas estavam uns dois centímetros acima do topo do vidro, mas nenhum quebrou.

Aquela severa onda de frio durou três semanas. Então, uma coisa espantosa aconteceu. Quando os vidros descongelaram, as tampas voltaram ao seu lugar no topo de cada vidro. Mamãe levou um deles para usá-lo no desjejum, e descobriu que ele se havia lacrado novamente, por si. Não, ele não se lacrou sozinho: Deus poupara misericordiosamente os nossos 200 litros de conserva, selando novamente as tampas. Sempre que comíamos as conservas naquele inverno, dizíamos um “muito obrigado” extra a Deus, por tê-las lacrado novamente. 

(Naomi Zalabak inMeditação da Mulher)
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