Cantando sem temor

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. 1 Coríntios 13:1

Sentia-me amarrada e mal podia esperar para sair da plataforma. Ao meu redor, havia um microfone à altura da minha boca e outro a alguns centímetros do meu violão, bem como uma grande estante preta para música. Se me mexesse para qualquer direção, acabaria batendo em algo. Por um instante, perguntei a mim mesma por que estava ali.

A voz musical do meu marido, Don, enfrentava dificuldades, e me perguntava se nós dois ainda cantaríamos juntos alguma vez. A
ideia de que possivelmente não mais cantaríamos fez com que eu me enrijecesse para segurar as lágrimas. Eu chorava pelas mínimas coisas naqueles dias.

De volta à plataforma, mal me ouvindo cantar, tudo – incluindo minha voz – parecia estranho e distante. Por fim, terminei o cântico e fiquei feliz por ceder os holofotes a outra pessoa.

Mais tarde naquela noite, na cama, resignei-me ao destino de uma mulher de 60 anos, consciente de suas limitações, e relaxei, caindo rapidamente no sono. Mas, no meio da noite, acordei com um antigo verso bíblico de memória, rodopiando na minha cabeça: “Ainda que eu fale [cante?] as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa...” Sim, pensei, essa sou eu. No escuro, afastei-me dos meus pensamentos e abri o laptop. Entre os e-mails novos, encontrei um da minha amiga de
New Jersey. Nele havia uma linda mensagem, com apreço por mim e nossa amizade. “Que ela brilhe nos lugares mais tenebrosos, onde é impossível amar... e que ela saiba que estará sempre segura.” Na sombra do meu desalento, Deus falou comigo.

É óbvio que Deus não me chamava para brilhar sob holofotes, concretizando um sonho juvenil de alcançar a fama, porém para permanecer à Sua luz, refletindo Seu doce amor aos invisíveis, àqueles que passaram por mim na escola, no trabalho ou na igreja, que carregaram seu desespero em silêncio, cada dia. Eu cantaria de novo sem temor nem tristeza, com o refrigério do Seu Espírito, sabendo que Deus Se faz presente no meu desalento, bem como no meu louvor. A Bíblia contém muitas outras promessas e palavras
tranquilizadoras, incluindo a que diz que nossa suficiência vem de Deus (2 Coríntios 3:5). (Nancy Ann Neuharth Troyer in Meditação da Mulher)

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