Falso Perdão

Durante 30 anos, um velho fazendeiro havia brigado com seu vizinho por causa da localização de uma cerca. No leito de morte, o velho homem decidiu acertar as coisas. Chamando sua esposa, disse: – Por favor, diga a Abner que estou morrendo e quero falar com ele.


Não demorou muito, e ela voltou com Abner. O velho tremia enquanto falava. – Abner, você e eu temos brigado há 30 anos por causa da divisa da cerca. Tenho dito algumas coisas muito duras a seu respeito, e quero pedir-lhe desculpas. Desejo tornar-me seu amigo antes de morrer. Você me perdoa? – É claro – disse Abner, com os olhos molhados. – Reconheço que também disse coisas más a seu respeito nos últimos 30 anos. Sim, é hora de nos tornarmos amigos.


Depois de um solene aperto de mãos, o homem doente apontou o dedo para Abner e disse: – Mas preste atenção, Abner, se eu ficar bom, pode esquecer tudo o que acabo de dizer! Tenho razão no que se refere àquela cerca!

Milton passou por uma experiência semelhante. Havia brigado com Cristiano durante o recreio. Tinham estado discutindo sobre alguma coisa durante duas semanas. Um professor levou os dois meninos para a sala do diretor. – Você não vai sair desta sala enquanto não pedir desculpas e perdão a Cristiano – declarou o diretor. – Vocês precisam perdoar-se um ao outro, e vão ficar sentados aqui até poderem fazê-lo.

O teimoso Milton ficou ali sentado quase até ao final das aulas. Com medo de perder o jogo de bola, resolveu que era hora de fingir o perdão. Na frente do diretor, disse a Cristiano: – Desculpe-me por ter brigado com você. Quero que me perdoe. – Milton parecia muito sincero. – Lógico! – concordou Cristiano. Ele também não queria perder o jogo. Quando se encontravam a uma distância em que o diretor não podia mais ouvi-los, Milton disse: – Mas eu te pego no ônibus, depois da aula!

O perdão é falso quando não procede do coração. O perdão forçado por medo de castigo não é perdão de jeito nenhum.

(Dorothy Eaton Watts. In: Inspiração Juvenil 2012: amigo é pra essas coisas. Tatuí: CPB, 2012. Texto digitado por Reginaldo Santos e publicado no grupo Boas Novas).
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