Uma lição na fila do caixa


Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os Teus decretos. Salmo 119:71

Eu estava na mercearia pela terceira vez naquela sexta-feira, muito aborrecida comigo mesma por ter esquecido um ingrediente muito importante da minha receita preferida, que estava preparando para o sábado. Eu havia convidado várias pessoas para o almoço e queria que tudo estivesse perfeito. A longa fila andava devagar, e me sentia infeliz porque estava amarrada antes do pôr do sol. Para piorar, enquanto todos esperávamos, uma mulher à minha frente, começou a contar piadas que nem sequer eram engraçadas. Eu desejava que ela simplesmente ficasse quieta, e me alegrei por não estar perto dela.


Quando ela chegou ao caixa, vi que o funcionário foi bondoso e simpático, perguntando-lhe como estava. Esforcei-me para ouvir a resposta, curiosa para saber por que ela se comportava daquela maneira. O que ela disse me apanhou de surpresa, e estou certa de que me lembrarei daquela resposta até o dia da minha morte. Ela disse: “Procuro ficar rindo, porque, se não o fizer, começo a chorar.” O caixa a animou a fazer o melhor que pudesse e a continuar assim. Quando a pessoa seguinte chegou ao caixa, o funcionário lhe contou que, duas semanas antes, o filho de 15 anos daquela mulher fora encontrado morto a tiros. Eu me senti mal, culpada, e a ponto de chorar também.

A impressão era de que uma nuvem sombria descera sobre o mercado inteiro, pois nada nem ninguém parecia igual. Depois de pagar minhas compras, saí aturdida. Fora do mercado, tudo parecia diferente devido ao meu estado de espírito. A cena continuou a repetir-se em minha mente, e me senti pesarosa. Orei por aquela mulher à noite e continuei a interceder por ela diante de Deus, toda vez que me lembrava daquela sexta-feira no mercado.

No sábado, enquanto almoçava com meus convidados, contei a história da mulher na fila do caixa, que tentava animar a si mesma. Pensei em quantas vezes nos aborrecemos com coisas que as pessoas fazem ou dizem, sem saber a razão de seus atos. Oro para que não só eu, mas todas nós entendamos que as pessoas são levadas a algum tipo de comportamento por causa de uma necessidade em sua vida. Dou graças a Deus pelas lições que me ensinam a aceitar todos com quem entro em contato, sabendo ou não o motivo de seu comportamento. Somos, todos, filhos de Deus e Ele nos ama. 

(Irisdeane Henley-Charles in Meditação da Mulher)

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